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SAMBAQUI: O gigante de conchas de Jaguaruna: a montanha construída por mãos humanas que desafia o tempo

Portaljaguaruna.com reconstrói o SAMBAQUI em um passado bem distante.

O gigante de conchas de Jaguaruna: A montanha construída por mãos humanas que desafia o tempo

No litoral sul de Santa Catarina, um monumento erguido há milhares de anos por povos que já não existem mais é apontado como o maior sambaqui do mundo.

Entre dunas, lagoas e o barulho constante do mar, o Balneário Garopaba do Sul, em Jaguaruna, guarda um dos registros arqueológicos mais impressionantes do planeta. À primeira vista, parece apenas uma colina coberta de vegetação. Na verdade, esse imenso “monte de conchas” não é natural: foi construído, camada por camada, por gerações de pessoas.

O que é um sambaqui

Sambaquis são sítios arqueológicos pré-coloniais, formados pelo acúmulo de sedimentos diversos, especialmente conchas de moluscos, restos de peixes e outros materiais orgânicos e minerais. O nome vem do tupi: tamba significa “concha” e ki significa “amontoado”.

Eles foram erguidos por povos que habitaram o litoral entre 8 mil e 2 mil anos atrás, com maior concentração no Sul e no Sudeste do Brasil, muito antes da chegada dos tupis-guaranis. Hoje, muitos arqueólogos defendem que os próprios montes de conchas são artefatos, ou seja, monumentos feitos de propósito, e não simples lixeiras de alimentos.

Um monumento de proporções gigantescas

Em Jaguaruna, o sítio Garopaba do Sul ocupa o centro das atenções. Segundo pesquisadores, sambaquis como Garopaba do Sul e Carniça I chegam a mais de 30 m de altura e 500 m de comprimento. Reportagens e guias turísticos trazem números um pouco menores: 26 metros de altura em um caso e cerca de 30 metros de altura e aproximadamente 300 metros de comprimento em outro. Essas diferenças são comuns, já que os sambaquis têm contornos irregulares e foram medidos por métodos distintos ao longo das décadas.

Há ainda o chamado Elefante Branco, um dos mais de 30 sambaquis de Jaguaruna, considerado o maior do mundo.

A região inteira é um verdadeiro laboratório a céu aberto. Um levantamento científico mapeou 76 sambaquis na área, dos quais 48 possuem datação. Jaguaruna é hoje um dos principais polos arqueológicos do Sul do Brasil.

Uma construção de milhares de anos

As pesquisas indicam que o gigante já estava pronto há muito tempo. Uma datação feita no topo do sambaqui de Garopaba do Sul, de 2.840 anos antes do presente, mostra que ele já tinha as enormes dimensões atuais naquela época. Ou seja, a montanha de conchas levou séculos, talvez milênios, para crescer, com cada geração acrescentando sua parte.

Quem eram os sambaquieiros

Os povos construtores viviam da pesca, da coleta de moluscos e da caça. Os sambaquis serviam também como local de sepultamento: o sambaqui Jabuticabeira II, na mesma região de Santa Catarina, é um dos maiores já escavados e revelou milhares de sepultamentos. Eram, portanto, espaços de moradia, memória e ritual.

Estudos genéticos recentes mostram que os sambaquieiros da costa Sul e Sudeste do Brasil não eram geneticamente homogêneos, isto é, nem todos esses grupos compartilhavam a mesma linhagem. O quadro é mais complexo do que se imaginava.

Como visitar

O sítio arqueológico Garopaba do Sul é aberto à visitação, mas é feita por agendamento com o Museu Cidade de Jaguaruna, no Centro da cidade. Vale combinar o passeio com as outras atrações do município, que tem 37 km de praias com dunas, lagoas e sítios arqueológicos.

Patrimônio que ensina

Mais do que um título de “maior do mundo”, o sambaqui de Jaguaruna é uma prova de que povos do litoral brasileiro organizaram grandes obras coletivas, de forma contínua e por milênios, sem metal nem tecnologia moderna. Preservar esses sítios é preservar uma parte profunda da história do Brasil.

Fonte:portaljaguaruna.com

 

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